domingo, 14 de junho de 2015

toda noite

toda noite
quando chove
o povo deita
e o sono sempre aceita
que a chuva
vai cair
é um sinal
de que o Tempo se renova
é um plano,
uma promessa,
uma prova
de que o sol já vai surgir

Achados de cadernos velhos

Por cima, o indicador
fazendo vezes de seta
ele acompanha a caneta
numa linha quase reta
depois, os outros dedos
compõem uma ala discreta
são três dedos de unha preta
numa curva semiaberta
tem um esboço do pinho
continuando o desenho do braço
ficou fora de proporção!
preste atenção no traço!
por último, o dedão
que empunha a bastoneta!
(mas que jeito desgraçado...
fala logo "caneta")
agora, pegue o papel
vire o desenho pra cima
ele vai ficar melhor

quando escorrer todas as rimas...

terça-feira, 9 de junho de 2015

a Coisa

a Coisa
que não tem nome
não me permite chamá-la

é inomeável 

assim como isto 
que se faz nefasto: o fim

seguro em minhas mãos
a necessidade de algo
que sequer seguro

sabemos que existe algo
entre as frestas dos dedos
sempre escapando

a isto,
em português, 
atribuímos o nome: vida

Coisas belas

Segredos são coisas belas
que temos e vamos guardar.
Segredos são pérolas, pétalas
São sopa guardada pro homem do bar.
Vinha uma criança com um barco
erguido e levando um bilhete.
Vinha sorrindo e carregando no
braço, o barco, um tristo, um cisto, um traço, um laço e um cacoete.
Não sei se o verdadeiro segredo
é o primeiro, este, aquele ou esse.


Na minha casa tem um sino
que me ensina coisas belas.

Coisas belas. Coisas belas,
Coisas belas. Coisas belas.