segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

epitáfio

o abandono
é a relação final da troca
é quando eu digo
não te devo nada
não me deva nada
abraçamos o devir
devaneamos
de verdade
viramos diva
divagamos
ao som de djavan
(num dueto com cassiano)
um disco clássico, onde
o balanço não titubeia
distrai e distorce
dramas negros

devo-te não nego

mas nego, vou te dizer
que um dia
e esse dia talvez não tarde
talvez, numa tarde,
felizes e bêbados dignos
eu diga que te abandonarei
pois nadamos nus
nada nos separou
nem a morte, nem deus
nem nada nos desuniu
nem nada nos destruiu
nem nada nos desistiu
nem nada nos nada
e nos naturalizamos a nós
deveras. mas talvez seja tarde
talvez a hora seja dita
mesma que seja primavera
e eu ainda te ame

e o que faremos depois?
devanearemos?
dançaremos
ao som de djs
ou digeriremos
o tchau que nunca será?

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