domingo, 19 de outubro de 2014

companhia

existe alguém morrendo
enquanto
neste exato momento 
um morto espreita por sob o teu ombro 
e outro lambe a lama dos teus pés cuidado:

os mortos são traiçoeiros!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

a janela

mano! aquilo era tipo... tipo um quadro
nós ficava parado tipo olhando
tava ligado em súbito. foi quando
vi que parou uma 2 3 4
viatura. que clássico! mó fita
se liga tiozão. entendendo nada
só os homem parando uma pelada
e dando um come num mano. se liga
truta que corre se fode grandão
se foge fodeu se chora tbm
se corre eles pega se implora amém
se fica é zum que atrebroque no chão
         mataram um mano na frente do bar
         mataram um mano na frente do bar

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Soneto torto

As portas destas bancas de jornal
são bonitas se fecham o negócio
e ficam só. Os ventos e o ócio
faz com que se balance o metal.

Percebo o quão sutil é essa dança
enquanto como carne, bebo breja
e leio Glauco Mattoso. (Que seja
desculpado o pé torto que balança).

Nosso ofício é árduo e esquecido.
Não vou pedir arregos nem perdão.
Eu só peço que possam ter sentido

os meus fodidos versos como a noite
que é amiga dos loucos e perdidos
e faz de um balançar eterno açoite.

vida

este é o belo de viver um pouco
pois chega em casa ébrio e louco
dança e vê o mundo
discute e dá risada
e tem medo do frio da noite
percebe que ainda é hoje
e que aquilo que falou
ainda não entendeu
(nem falou
só repetiu)


a vida é esta coisa, poeta,
que nos foge aos dedos
a memória é isso:
ter vivido

TANTO
mesmo antes do dia acabar