quarta-feira, 16 de julho de 2014

indulgências

por tanto tempo
chamei errado
chamava amor
quando o nome era
perdão

e quando descobri
(todos os deuses me ajudem!)
rapidamente
corremos pela redenção
deveria ser de joelhos

disse coisa tanta coisa
dissedisse dissedisse
tanto ada tanta coisa
improvisada tanto ida
tanta coisa repetida e
tanto ada tanta coisa
que era nada...

foi engano
(com corretos aplicativos
os mortos se reúnem)

segunda-feira, 14 de julho de 2014

compreite

compreite as coisas mais belas
que minha cabeça podia pensar
compreite calças beges
compreite sons e aromas
e até mesmo esse cachorro que late o meu amor
compreite gostos e cores
das mais diferentes regiões
sons da bavária com gosto doce
e outras coisas que contemplassem você
compreite tudo que pude
 esfacelei-me em pedidos e listas de casamento
desfiz as lojas e agradecia!

agradecia! agradecia!
obrigado! obrigado!

obrigado! por poder tanto! e muito!
e ser gente feliz que compra
e presenteia
e pode
e ama
e demonstra
e retrata o amor nas páginas que ficarão para a posteridade
todos os cantos e cânticos comprei e até e até! as coisas abjetas
que te mostrariam a evolução do feio compreite
para não dizeres que não
cadáveres e sacos com rostos descolados do crânio
velhos mortos e fetos banguelas sorridentes
tudo isso tudo
só somente
e tudo isso
para satisfazer e agradecer
o mundo que te produziu com recursos ínfimos:

um pouco de água e carbono 
(além de amor e dinheiro que cheira bem)

frio

existe um frio
nas pontas dos dedos alheios
que me amedronta
de um jeito tamanho
que eu
- as vezes -
penso se as pessoas
estão mortas
ou se sou eu
que ando estranho...