quarta-feira, 11 de junho de 2014

Ao vencedor, as batatas

Estou fedido

Meu corpo pede afastos de todos
Desgasto a rota dos abraços com desvios
Sem tempo de explicar a paúra,
A podridão, as mãos geladas, mas nem por isso
m o r t a s
Os dentes pútridos e a língua dura
Nada contenta
É somente demasiado
O olhar secou
Não existe movimento interno

O coração ulula sem bater

Existe calor escapando pelas frestas das roupas
Me compadeço do que é merda

Não encontro o trono
Nem a casa de mendigo

Minha casa está na rua
De um lugar que não existe
A não ser em fendas quânticas
Que surgem vez ou outra
Como esta sala que é outra
De oitenta anos atrás
Onde eu era a criança

E hoje sou o morto exposto: campeão!

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