segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O cesto

O mundo pára
para que eu decida arrumar o gigantesco cesto que há perto de mim.
Abro-o, lentamente,
para catar qualquer coisa que eu já perdi
e decidir o que vai
e o que espera para ir.

Fico tempos e tempos
trabalhando, avaliando.
O cesto, sempre cheio,
indica-me algo que eu não sei saber.
Corto-me em arames,
sujo as mãos,
espirro! Espirro muito!
Jogando para fora
tudo aquilo que está morto
e alguém diz:
- É preciso virar o cesto!

Ignoro quaisquer conselhos
e persisto, em labuta, minha missão de ourives
Este vai, este fica
a lógica impera absoluta
ou é moldada pelas emoções?
Uma foto que vai
algum papel amassado
que guarda o numero de um telefone
fica! (mas pode trazer complicações)

Está tudo sendo feito.
A construção está ocorrendo,
mas a voz persiste em dizer:
- É preciso virar o cesto!

Não aceito sua ordem,
me enfio em sacolas,
bolas de gude amareladas,
lenços usados para assoar o nariz,
Vou separando - aos poucos -
as reminiscências...
O cesto, quanto mais vazio,
mais pesado está.
Quanto mais leve, mais
difícil de carregar.
A voz persiste em sua sentença.

Não desobedeço à perspectiva
e decido
e aceito
virar o cesto.

A organizada comunhão se desfaz
E tudo, ao rés do chão,
se prepara para a morte.
Existe desordem, existe pó.
Mas - ironicamente - existe paz.
Uma paz.
O cesto me observa
mais leve e menos vazio.

Amanhã recomeço.

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