quarta-feira, 25 de julho de 2012

Morrendo

Eu quero matar esse amor ruim!
Essa história amaldiçoada...
Quero expurgar esse horror de mim!
(Que se desfaça durante as madrugadas!)

E me despedir do pensamento triste
de que tudo isso caminha pra um fim.
E esquartejá-la das lembranças vivas,
e depois matar outro pedaço de mim.


06/11 e 07/12

terça-feira, 24 de julho de 2012

Quero amar-te, Rosalinda

Meio triste a minha sina
Ora choro, ora sorrio.
Quero amar-te, Rosalinda
Mas meu peito está mais frio

Quero amar-te, Rosalinda
Até morrer na tentativa
(Tão bonita essa menina!)
Mas meu peito está vazio

Ando amando outras moças
N’outro amor, me refugio
Quero amar-te, Rosalinda
Mas meu peito está mais frio

Quero amar-te, Rosalinda
Mas você não cabe em mim
Nosso tempo é de outro tempo
Nosso agora tá no fim.

E não sei como lidar
Pra lhe dar o meu amor
Quero amar-te, Rosalinda
Com um pouco de rancor.

Fim do mundo

Entrei na igreja da Consolação um segundo antes do mundo acabar. Muito barulho atrás de mim. Um barulho surdo, mas infernal. Os prédios derretiam e as ruas do mundo inteiro estavam se quebrando em pedra, concreto e barro. Houve barulho de carros, houve barulho de bichos e – sobretudo – houve o barulho do medo. O mundo todo morreu. (Morrer é assim?) Morrer é assim? Pensei. Passou um segundo e decidi andar. A cada passada chegava o juízo final. Os pés carregavam o peso de toda a humanidade e meu tênis macio fazia um barulho covarde. Será que eu estava no meio do caminho? De repente, sons de trombetas celestiais. Um exército de anjos à minha direita. Não tão repentino, um som de harpas tortas. Ao outro lado, um exército de anjos caídos. Genuflexei. Juntei as mãos. Fingi rezar. Apareceu o Diabo, no canto. Não falou comigo. Eu tampouco... Fiquei queitinho, só de olho. No outro canto, para minha surpresa, estava Deus. Mas sem luz, nem glória. Deus era um homem pequeno. A igreja virou o ringue daquela luta onde tudo era permitido dentro de oito quinas. E um segundo antes da luta começar, Deus me disse com a voz do capeta que os livros sagrados mal são lidos. “Ou pelo menos são mal lidos. Quem os escreve é um escriba careca que persiste em viver na terra. E que em todo Natal, ano após ano, se veste de Papai Noel e trabalha nos shoppings da capital”.