sexta-feira, 8 de junho de 2012

A menina que passa

Meu Deus, que linda! Formidável como a lua.
Toda tarde ela enlouquece
os meninos dessa rua.

De manhã, ela canta essas músicas de infância.
Ela vai comprar seu pão.

Os meninos e meninas muitas vezes brigam forte pra ficar em sua esquina.
Só pra ver ela passar.

E quem não a vê de perto
briga, rasga, agarra, trepa pelos muros dos vizinhos
só pra ver ela passar.

Os meninos dessa rua não tem outra pequenina
pra lançar os assovios
tão secretos de tesão.

Oh, menina que não sei!
Não é santa, nem bobinha.
Os meninos sem cueca,
e a menina sem calcinha.

Ela passa sorridente. Fica e passa, amedronta.
Pacifica... Vai descalça
chupando frutas e homens.

No suar desses rapazes que somem...
- Somem?
- Sim, no seu quarto
- Somem!
ela incita grandes golpes
de abdômen pra abdômen

Oh! Menina que desliza
tão vestida e sempre nua.
Toda tarde ela enlouquece,
ela excita, ela transtorna.
Toda tarde cresce a pica
das crianças dessa rua.





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