segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Sobre a morte

A morte veio numa tarde
Falamos sobre futebol
Visitas do homem à Marte
Sobre Van Gogh e girassol

Nossa conversa durou anos
Não sei se você pode ver
Não sei se isso foi engano:
Pensar que não irei morrer

A morte me contou segredos
(Depois de um pouco de bebida)
Contou e riu sobre os desejos
Dos namorados, suicídas...

Baladas sobre os bipolares
E as paranoias de amor
Que esquizofrênicos fizeram
Como poemas, como dor

Contou-me sobre as desditas
Que os velhos sonham ao morrer
Contou que a vida não esta viva
Que ela não pode aparecer

A vida é folha de madeira
Que se perdeu numa jangada
A morte vive de doideira
A vida foi sua namorada

A vida foge entre os dedos
A morte não pode pegá-la
A vida sonha com os velhos
A morte, com a molecada

E desse jeito a morte foi
Chorando lenta e sem amor
Pedindo perdão para a vida
Por ter matado o meu avô.