domingo, 24 de abril de 2011

Quem é você?

São Paulo, 24 de abril de 2011.



Sílvio,

Fiquei sabendo que você morreu. Você não sabe o quanto me apertou o peito saber que o mago dos meus sonhos estava deitado e dormindo profundamente. Você não sabe o quão difícil foi aceitar a sua morte prematura e desconhecida. Saber que as pessoas que circundavam seu caixão eram em número inferior do que aquelas que você havia impressionado com a sua capacidade de contar histórias.

Ouvi dizer, amigo Sílvio, que os africanos mais antigos se sentavam em rodas para contar histórias. Os mais jovens e menos vividos tampavam o ouvido esquerdo para que as histórias de seus ancestrais ficassem gravadas nas suas mentes. Dessa forma, seríamos cada vez mais uma mistura de nós com os outros. Saber da sua morte foi o destampar de um dos lados da minha cabeça. Foi a personificação do medo da morte.

Você, tão frágil e lindo, como o zoológico de vidro da Laura, foi perdido em atabaques, dançando passos que representam a síndrome de uma vida que se esvai. Dançando o ritmo dos passos que o nosso amigo Mingo foi tocando até você, numa outra lufada de vida que levou mais um amigo nosso. Pensei tanto na morte de vocês... Pensava em vocês como sábios ou como mortos. E vocês atenderam às duas expectativas.

Um comentário:

Mayra disse...

Nossa, que triste, como foi isso?
Lembro dele me emprestando o texto com deixas e levando comida pra gente na cabine de luz...