quinta-feira, 3 de março de 2011

Composição nº1

Procurei cantigas velhas
pra colar em um caderno
e fingir que era um relato
nosso.

Preferi escolher cantigas
estrondosas, mais gritantes.
As cantigas que embalavam funerais.

Para me identificar
procurei cantigas mortas.
Procurei relatos velhos.
E algumas lendas podres.

E achei velhas versões,
que depois vieram dar,
por piscadas e pisões,
alguma inspiração:

Eu não fiz relato algum.
Nossa história não tem lenda.
Nossa história é cansativa.
Nossa história não é canção.
Nossa história, cansativa,
que nas outras se repete,
numa uma boa tentativa:

É no máximo um refrão.

(17/06/10 e 03/03/11)

4 comentários:

Anônimo disse...

Seus poemas têm uma coisa que eu adoro. Queria chamar de simpatia, mas parece pouco. São mais um sorriso triste, eu acho...

Anônimo disse...

acho que dá pra saber onde foi retomado

Fordelone disse...

O amor, para ser belo, tem que ser triste. Assim dizia o mestre Vininha.

Anônimo disse...

não vi beleza nem tristeza aqui, moço.