terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Bolotas de saudade

Descobri - por relatos e boatos - que existem ladrões de bolas de futebol velhas. Esses meninos - que não são rapazes – se escondem entre os garotos comuns. Quando a meninada está toda junta, os ladrões sequer olham para as bolas. Com os olhos vingativos, arquitetam o furto daquelas que quebram as janelas de suas mães, e as olham com a gula invejosa que todos os garotos têm das bolas voadoras.

Porque as bolas voam. Voam quando chutadas por pés descalços e inocentes. Só assim que elas voam. Assim, elas assumem rota própria. Não descrevem parábolas e nem traçam paralelas. Simplesmente voam como os anjos. Sem rota definida e sem força de propulsão. Como voam os sonhos, voam.

Já as antigas bolas de capotão não existem mais. O capote ficou para dentro de algum menino que foi um bom ladrão. Que roubou todas as bolas e capotou o mundo todo para dentro de si. Os meninos mais espertos sabem como guardar as bolas dentro do peito. Fazem isso, por que é mais fácil de carregá-las assim, sem que ninguém perceba. Muitas vezes, por causa da quantidade de informações que essa vida nos dá, os meninos acabam esquecendo que roubaram bolas voadoras. Muitas vezes, elas ficam esquecidas no peito dos meninos. Ao virar homens, elas perdem o nome e viram bolotas de saudade.

Um comentário:

Mari disse...

Inebriante, como de costume :]
Indiquei você a uns selos, viu? Vê lá no blog. Beijo :*