quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Se eu quiser falar com Deus

Quando fico só, abro o chuveiro e recebo dez litros e meio de abraços. Ali permanço, na maior sinceridade que posso demonstrar. Nú e calado. Me lembro de uma música do Gilberto Gil que fala sobre algo parecido. Nesse momento acredito no meu sagrado, seja lá o que isso signifique. Calado e tonto não percebo a rouquidão dos últimos dias. Debaixo de tanta água não percebo as prováveis lágrimas que escorrem por causa da poluição da cidade e, também, por causa da fuligem da minha alma. Não sei se o frio está nos últimos dias ou se está em mim. De qualquer forma, quando fico com frio, abro o chuveiro e recebo dez litros e meio de abraços vaporizados.

2 comentários:

suellen nara disse...

No banho coloquei aquele cd do Lobão. Cantei todas as músicas e quando chegou naquela, eu gritei. Gritei toda a letra e mexi os braços e balancei a cabeça e engoli água.
hhahhaha!

as vezes um banho pode ser inspirador...

(obrigada pela visitinha, moço apaixonado)

Kênnia Méleus disse...

Texto muito criativo, de uma beleza ingênua, quase. Parabéns.