sábado, 25 de setembro de 2010

Ensaio para romance

Existem coisas que não devemos observar. Eu aprendi assim. É engraçado como nos desesperamos frente a uma verdade que nos tira do eixo. O eixo do mundo já inclinado, por que o nosso precisa ser, sempre, tão ereto?


Eu busco pequenas falhas para me sentir mais humano. Menos hermético. É uma sensação de expurgar os males da vida ao se deparar com eles. Depois disso, pra onde você pode ir? É delicioso descobrir a frieira do pé de alguém ou o bafo de uma moça bonita. Isso te leva à loucura. E é a mais deliciosa das drogas.

Isso é dente de cavalo dado.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Se eu quiser falar com Deus

Quando fico só, abro o chuveiro e recebo dez litros e meio de abraços. Ali permanço, na maior sinceridade que posso demonstrar. Nú e calado. Me lembro de uma música do Gilberto Gil que fala sobre algo parecido. Nesse momento acredito no meu sagrado, seja lá o que isso signifique. Calado e tonto não percebo a rouquidão dos últimos dias. Debaixo de tanta água não percebo as prováveis lágrimas que escorrem por causa da poluição da cidade e, também, por causa da fuligem da minha alma. Não sei se o frio está nos últimos dias ou se está em mim. De qualquer forma, quando fico com frio, abro o chuveiro e recebo dez litros e meio de abraços vaporizados.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Agora

Só existe o agora
Digo e repito um milhão de vezes

Por isso, então, afirmo: Por hora,
deixemos o agora pra daqui 3 meses.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Com destinatária

Dizem que amor e ódio andam lado a lado. Sempre tive medo de escrever textos que contivessem máximas como essas, mas prefiro começar assim para trazer um pouco de humildade para essas palavras tortas que eu gostaria de lhe dizer.

Me sinto duas pessoas diferentes, sabe? Esse texto é um exemplo impecável. Ele é só um desabafo. A exposição de extremamente bobo e supérfluo, mas eu tento sofisticar a linguagem, a disposição e a eloqüência para, depois, poder utilizar a minha sentimentalidade para postar um texto com uma certa qualidade no meu blog.

Embora já o tenha começado, preciso dizer que não sei como começar esse texto. Parece que tudo até agora foi uma embolação para algo que eu gostaria de te dizer, mas como bom inocente que sou, não sei nomear todas as minhas confusões com eufemismos, metáforas e caminhos oblíquos de construções sintáticas sinuosas.

Voltando ao começo da minha embolação; ainda não consegui especificar em qual dos lados dessa balança eu me encontro. Talvez eu não esteja em nenhum dos lados, talvez essa balança não exista e talvez a minha posição quanto a isso nem seja relevante, mas eu já fiquei na posição de narrador dessa carta por causa disso; nunca sou o protagonista, mas se é para ser, que seja com os limites da minha narrativa. Eu não queria colocar sentimentos como forças opostas. Não queria colocá-los dentro de uma estrutura maniqueísta onde as palavras ‘bem’ e ‘mal’ pouco importam perante tudo aquilo que podem representar para um menino tão ingênuo quanto eu.

Talvez tudo que eu queira seja paz. Não sei em qual dos lados da balança ela pode estar, mas juro que tento encontrá-la. Talvez perdida em um parafuso enferrujado daquele mecanismo antiquado ou chumbada abaixo dos pratos que sustentam essa minha confusão. Eu não sei fazer pedidos, mas já que estou quebrando convenções, talvez convenha fazê-los.
Não crie expectativas sobre mim, por que você me tira o direito ao erro. Não brutalize suas fraquezas sobre as minhas por que eu não entendo nada sobre matemática, mas sei que as suas fraquezas potencializam as minhas. Me sinto desertificado no meio das minhas inseguranças e, de tão fraco e incapaz que sou, realmente não sei se te contemplo como uma miragem ou se me esforço para beber a água que me vem ofertada como uma possível realidade.

Desculpe as divagações sem sentido.
E desculpe os constantes pedidos de desculpa.

Uma boa noite.
Para nós dois.
E para o mundo todo.
E para o infinito também.