terça-feira, 20 de julho de 2010

Três quartos de um jovem

Antes de entrar em casa, ele tinha o costume de tirar os sapatos. Entrou no seu quarto, jogou sua mochila num canto qualquer, retirou a camisa, o jeans, as meias e permaneceu apenas com as cuecas esgarçadas enquanto olhava pela janela. As roupas, bagunçadas e dispostas assimetricamente pelo quarto, lhe davam a sensação de prazer. De aconchego.
Qualquer um que visse a situação daquele quarto o chamaria de porco, desleixado, desorganizado. Na verdade aquilo era só uma forma de passatempo. Assim, ele passaria mais tempo procurando a si mesmo dentre a grande quantidade de meias, papéis e livros que estavam caídos pelo chão.
No caminho de casa havia pensado num texto. Ou em uma poesia. Mas, como sempre, seus dedos não obedeciam os pensamentos criativos, por que a mente estava demasiadamente ocupada com algum amor platônico que ele criava para distrair as tardes monótonas.
Então, ainda olhando a janela, ele decidiu fazer poesia com a vida.
Sorriu e foi dormir.

Um comentário:

Anitha disse...

Ainda compro um gravador! Meu esquecimento é mais rápido que minha mão. Mesmo assim, vivo cercada por rascunhos e rabiscos.