quinta-feira, 15 de julho de 2010

prosa dificil

como nao bastasse a vergonha pela situacao, o corpo lhe insistia em denunciar o estado sentimental. parecia uma soma de multiplas reacoes que insistiam em transformar em imagem crua todas as suas mais complexas sentimentalidades. fosse mais ingenuo do que imaginava ou fosse sua criatividade tao aflorada, mas era fato que conseguia criar possibilidades de refugio dos seus pensamentos e ambicoes.

as propriedades da alma lhe eram tao parcas que conseguia e tentava criar situacoes para que vivendo seguisse. como nao fosse suficientemente humano para poder encontrar o defeito nas coisas, projetava seus proprios defeitos - os mais fáceis de enxergar - nas coisas alheias e assim conseguia se tornar um pouco comum.

o corpo tremia e a voz parecia sair em blocos de palavras desconexas. o coracao disparava e os pensamentos nao lhe eram proprios. era como se algo alem da sua fraca realidade lhe transformasse em algo que ele nao tinha controle. era como se seus membros, se sua carne, nao lhe obedecessem os comandos e tudo aquilo que lhe rodeasse fosse a representacao de tudo que significa a entrada para os seus pensamentos obscuros.
de fato, a situacao era um acumulo de energias estranhas. desafinadas.

seja, talvez, a vida algo muito previsivel! sendo assim acreditava que fosse necessario criar realidades paralelas onde os fatos sao tao concretos que sao impossiveis de ser modificados. mas lidar com a possibilidade do diferente ponto de vista é criar o fato distorcido da sua realidade concreta, mas capaz de nos fazer mais confortaveis com a vida.

para viver dentro dessa vida sépia precisamos criar realidades paralelas.
distrações.
mentirinhas gostosas.

Um comentário:

Anitha disse...

Muito bom! Parabéns pelo texto!!!