quinta-feira, 20 de maio de 2010

Padrefilia



Sonhei eu que ia preso
Sem motivo de prisão
Simplesmente havia dito
Para o padre Benedito
Que eu estava muito aflito
Fiz a minha confissão

Ele foi compreensivo
E tocou meu coração
Fez carinho na minha alma
Com a sua dura palma
Me deixou com muita calma
Abaixou o meu roupão

Me falou que expurgaria
O demônio, a tentação
Sua espada iluminada
Deslizava, inflamada
Com os nervos excitada
Pra tirar minha ilusão

Eu gritava extasiado
E compunha uma oração
"Ó Senhor que me vigia
Não me julgue nesse dia
Não estou numa orgia
Estou numa exorção"

Eu estava confessado
Fiz a minha confissão
E voltei todo inocente
Muito delicadamente
Arquitetando na mente
Como ganhar essa ação

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Para brigadeirar a alma (Lembrar de continuar)

Faço bolos, vendo doces, crio receitas. Minhas mãos já se acostumaram a misturar as massas e resultar numa coisa linda de se ver. De sustentar os olhos! Eu faço doces como quem morre para tentar acrescentar um pouco de doçura na minha vida.


As pontas dos meus dedos já estão queimadas. Queimadas das vezes que tentei retirar a forma do forno sem luvas. Eu gostaria de poder lhe afagar, mas as pontas dos meus dedos não permitem mais. Só permitem que eu bata, amasse, modele. Mas sem enfeites, nem carinhos, nem adornos. Sem glacê nos meus amores. As pontas dos meus dedos me impedem de segurar uma agulha e dar um pontinho em algum lugar do corpo seu, mas eu posso lhe fazer doces para que você possa costurar por mim.

Faço doces para colocar a alma no forno, senti-la ser aquecida por alguns longos minutos, e depois enfeitá-la com aquilo que mais me agrade e que não precise de dedos habilidosos.

A minha receita me ampara e me sustenta para continuar a envelhecer e a brincar de glacear.

Faço bolos, vendo doces e crio receitas para brigadeirar a minha alma.

domingo, 2 de maio de 2010

Pequeno poema didático para o jovem poeta

Versos alexandrinos são como esse aqui
Com ataque na sexta e depois lá na última
Decassílabo: Esse só tem dez.
Com ataque na sexta; é heróico.
Se for na quarta e na oitava e, só
Depois, na décima: é sáfico

O de cima é redondilha
Por que só tem sete sílabas
Redondilha, mas maior
A menor, só cinco.
É tipo isso aqui.