quarta-feira, 31 de março de 2010

Sim tonizando

Ando um pouco entristecido com a televisão brasileira.

Não que em outras épocas ela fosse melhor, até por que sou novo demais para saber disso. Também não estou dizendo que a televisão da Guatemala seja melhor... Uma vez que nunca fui pra Guatemala. Mas acho que estamos começando a gostar dessa idéia de ter uma certa babaquice concedida, sabe? Gostosa, macia... Quase uma bundinha.
A televisão é igual à personalidade do povo. É aberta, mas com poucas opções, limitada...
O Mito da Caverna?
Sabe quando você acha que descobriu algo de interessante? Aquela coisa é restrita. Opa! Somente sua. Não é do domínio de (quase) mais ninguém e você trata quase como um tesouro particular. Às vezes você compartilha com os seus amiguinhos mas sempre pedindo aquele sigilo. De repente, você encontra aquela coisa super legalzinha num programa badalado de domingo à tarde.

Todo mundo já passou por isso pelo menos uma vez, né?

A televisão não está sozinha nessa onda. Música e internet tão nessa também... Até o coitado do teatro já está caindo nas graças. Foi-se o tempo em que descobrir algo novo era uma promessa de distração inteligente. Hoje contamos nos dedos os dias em que o peso das coisas interessantes estarão sob as nossas costas num domingo a tarde, numa segunda a noite...

Já desisti da TV! Mas ainda tenho esperança na internet...

terça-feira, 30 de março de 2010

Eu passo aí pra te pegar!

Hoje dou inicio, oficialmente, à minha jornada em busca da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) que, por hora, levará a triste insígnia de ‘provisória’.
Fico me perguntando por que DIABOS estou tirando a carta?
Seja inteligente! Tire sua carta com a gente!

Essa nossa tão “bela, limpa e pequena” cidade (reparem na ironia, ok?) já sofre com a grande vastidão de carros que brigam por um espaço nas ruas. Eu, esse garoto serelepe e magrelo, não possuo dinheiro para custear as despesas de um carro – nem da própria carta, patrocinada pela minha linda mamãe.

Minha casa possui uma garagem para dois carros, que é preenchida pelos dois carros daqui de casa. Carros que são intitulados: “Carro da mãe” e “Carro do padrasto”.
O mais próximo de “Carro do Bruno” que posso encontrar, é o carrinho de mão que fica guardado nos fundos, ao lado do meu puxadinho.

Talvez eu seja um motorista noturno. Daqueles que não vai pegar o carro durante o dia por medo do trânsito e para economizar gasolina. Se bem que, com o preço do ônibus e metrô de São Paulo, uma saidinha de carro não é tão mais cara e demorada.
Serei um motorista domingueiro, pegando o carro quando não estiver sendo usado por essa família pouco baladeira. Minha CNH só será utilizada para substituir o RG, que já está na sua 5ª via.

Estou tirando um atestado de emissor de poluentes ativo, uma vez que já sou um passivo, quando se trata de transportes públicos.

Mas eu sou egoísta demais para me privar disso. Então, rumo às 45h de aula teórica.

sexta-feira, 19 de março de 2010

De uma esburacada...

Homens caminham com elegância. Ainda mais, os elegantes. Eles são os que encontram a forma correta da coluna, que precisa parecer dolorida para quem vê (e insuportável para quem faz). Pé, ante pé, como uma valsa ensaiada, eles desfilam pelas ruas e bielas, vecos e savenidas. Mesmo quando não perfumados, seu requinte de malandragem pelas bordas transborda um odor que disfarça o salgadinho tempero das tardes quentes.
Cumprimentam-se, como que se fossem parceiros de mictório. Apertos de mão antes, nunca depois da conversa. Um sorriso amarelo e azedo que é aliviado pelo desapertado momento da confraternização. Que amizade bonita! Se a amizade não acontecesse, cada um se fechava em seu mundinho e ‘bora tocar a vida! Eles balançavam o mesmo gingado, mas não precisavam ser amigos ou inimigos, era só continuar o velho ditado ‘uma mão lava a outra’.
Às vezes era bonito pagar um doce de boteco pra uma criança que estivesse acompanhada de uma mãe mais doce que o bonito.
Quando desamarrado o sapato, não se abaixavam para amarrá-los. Andavam com os cadarços soltos mesmo, como se houvessem escolhido aquela alegoria para seguir seus calcanhares. Quando, raramente, encontravam alguém num estado financeiro pior que o seu, pagava-lhe uma rara nota verde de R$ 1,00 para que o pobre mais fedido lhe amarrasse os cadarços e desse um nó em sua alma abarrotada de odores.

Só no sapatinho...

sexta-feira, 12 de março de 2010

Soneto do candidato

Quatro promessas preciso fazer
Pra que minh’alma comece feliz
Vou prometer o que eu sempre quis
E começar sem me comprometer

Primeiro prometo; pra sempre viver
(Não irei viver após ter morrido)
Segunda promessa; serei comido
Comido, somente, quando eu padecer

E agora eu juro que irei dividir
A minha fortuna pra quem revogar
(Ao menos metade preciso doar)

Por ultimo; juro mentir infinito
Qualquer mentiroso vai concordar
Que prometer é um gesto bonito

sábado, 6 de março de 2010

Um dia haverá uma hecatombe

O tempo todo falamos de discussões ultrapassadas. De vestibular, de cotas nas universidades, de investimento público para arte e para a educação. A todo o momento nos colocamos num lugar mais privilegiado do pensamento. Somos aqueles que enxergam as necessidades próprias sem afetar as necessidades alheias.

Mas não podemos mais pensar assim. Não podemos pensar que as discussões ficam ultrapassadas só por que passamos por elas. Por que os conceitos não são fechados com frases pragmáticas, e por que a idéia de ‘conceito’ também muda com o tempo.
Eu não sei o que estamos buscando, por que conseguimos encontrar prazer a todo o momento. Não sei se a briga por um ensino de qualidade ou se a distribuição de renda nos fará um povo mais sábio ou feliz. A felicidade é encontrada em todas as classes sociais e intelectuais, assim como a sabedoria e a humildade. Talvez, com isso, sejamos um povo menos preconceituoso. Talvez seja essa a nossa busca:
Pelo fim dos preconceitos, pelo fim da segregação do pensamento.

Talvez consigamos fazer com que os pobres e ricos não pensem diferente e não sejam diferentes. Talvez consigamos extinguir o conceito de pobre e rico. Quem sabe, algum dia, conseguiremos criar um mundo onde as tâmaras brotem ao nosso lado, onde corram rios de mel e leite e ainda por cima tenhamos à nossa disposição 42 virgens!

Um dia haverá uma hecatombe. Haverá destruições homéricas e elas estarão relatadas nos livros de história. Eu já ensaio as brigas que terei com o William, com a Mayra e com a Bia. Já ensaio as brigas que terei com a minha família e com o partido político que irei fundar. Todas as palavras que vou usar nas minhas palestras, nos meus poemas escritos debaixo da ponte (que será a minha casa) já estão em fase de amadurecimento.
Espero que a nossa briga não seja uma briga para nós. Eu não vou negar que tenho medo morte, mas prefiro a morte à miséria.

Estou buscando minha função, e por enquanto ela é modificadora da forma que me aprisiona e me liberta; o teatro.

Algum dia os seres humanos serão seres alados. Mas antes iremos dar asas às coisas que estão próximas. Mais próximas do que nós mesmos.