terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Rolê de Corno - parte 2

Aos 40 minutos de caminhada estávamos eufóricos. Demos uma parada para ver o sol nascer, mas continuamos nossa jornada. Fizemos cálculos. Estávamos a 6 km/h e deveríamos levar por volta de 5 horas até chegar ao Tietê. Teríamos mais 3 para chegar à Saúde.
Após alguns quilômetros nossa euforia foi sumindo, nosso cansaço foi aparecendo e a idéia de fazer uma caminhada tão longa com calças jeans pareceu um tanto quanto estúpida. Começamos a sentir medo dos enormes caminhões que passavam a poucos centímetros de nossos corpos e observávamos caminhos impossíveis de passar segundos antes de passar por eles.

Após 20km de caminhada, resolvemos dar mais uma parada (já havíamos feito duas). Sentamos em uma pedra por baixo de uma árvore que nos favorecia uma sombra muito tentadora ao observar aquele sol das 10h da manhã. Após descansarmos por alguns segundos, pedimos informação à um singelo “caroneiro” que estava por lá.

Ele dizia se chamar Cícero. Havia acabado de voltar da “gandaia” e andado por volta de 20km em duas horas. Achamos um tanto quanto improvável que aquele gordinho, muito parecido com o Maguila inchado, fizesse em 2 horas o que havíamos feito em quatro. Nos disse que o metrô Penha estava há apenas 2km, enquanto o terminal Tietê encontrava-se há 5km. Confesso que a Penha nos pareceu extremamente tentadora, mas a glória de chegar ao Tietê era maior. Decidimos ir rumo ao Tietê.
Cícero nos perguntou se tínhamos dinheiro. Naquele momento, nossas carinhas se fecharam numa expressão de tristeza e dissemos que não, temendo que ele nos assaltasse. Mas ele abriu a carteira e nos deu R$ 10,00.

Naquele momento, todos ficamos apreensivos. Qualquer um que tentasse ser educado e dizer: “Não! Não precisa”, provavelmente apanharia dos outros dois. Os 5 segundos que ele demorou para pegar o dinheiro foram os mais silenciosos do mundo. Confesso que pensei em dizer que não precisava mas, vai tomar no cú, claro que precisava.
Eu tinha 30 reais. Mas precisava pagar a passagem de volta do Amarante e do Renan, além da nossa comida e minha passagem de metrô, o que seria mais de 25 reais da minha graninha indo embora.

Pegamos o dinheiro, agradecemos. Saímos da gostosa sombrinha e partimos rumo aos 5km que nos separavam do terminal Tietê. Calculamos que demoraria menos de uma hora, então apertamos o passo.

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