sábado, 27 de fevereiro de 2010

Sonho de 27/02/2010

Perdoem os erros de português. Escrevi assim que acordei e decidi não revisar.


Sei que o lugar não é seguro, por que começa com a sensação de que acabamos de sofrer um assalto. Durante todo tempo sinto a presença de uma criança. Um homem entra na loja onde estou. Ele é branco, alto, possui o cabelo um pouco claro. Não olha para mim, vai direto para a dona da loja e pede uma forma de gelo. A dona da loja abre o freezer da geladeira e pega a forma. Percebo que mesmo sendo uma geladeira, ela está totalmente congelada por dentro, como um freezer.
Ela me diz que aquele homem foi quem nos ajudou após o assalto. Ele havia nos reconhecido. Ela também me diz que um pouco mais para cima havia algumas pessoas que haviam invadido uma casa. Eu sonho muito com casas invadidas onde ocorrem assassinatos. Imagino que lá também deva ter ocorrido algum, mas não me recordo direito.
Fui até a esquina para ver se conseguia enxergar o lugar onde era a tal casa. Olhei para cima e vi um grupo de mulheres de vestidos longos e roupas claras de braços dados circundando uma arvore vermelha e baixa, formando um pentágono. O engraçado é que elas não estavam ao longe, mas sim em cima de mim. Como se estivessem num minúsculo morro a minha frente, ao até mesmo flutuando sobre mim.
Uma delas apareceu quase nua, dando gritos quase ritualísticos e tive a impressão de ter algo de sexual. Olhei para cima e vi que realmente faltava uma mulher no pentágono.
Saí de lá.

Olhei na esquina e vi que havia um brechó antiqüíssimo. As roupas eram lindas, extremamente diferentes, mas estava fechado. Pensei ‘deve ser aqui que o William compra figurinos’.
Vou para a loja do começo, que fica na mesma rua. Tudo acontece em só uma rua e uma esquina, quase um filme de velho oeste ou um Dogville. Chego na loja e pergunto para a mulher onde a dona daquele brechó compra roupas. Ela me responde algo que não lembro e entramos na loja.

Lá dentro não há mais nada, a não ser uma arvore baixa que dá flores rosadas muito pequenas. Bem poucas estão mortas. Sei que ela não arranca as mortas de propósito, para que o ciclo fique claro. Ela não me diz, mas eu sei.
A criança comigo, que nesse momento vejo ser a minha irmã, coloca a mão na mesma flor que estou acariciando. A mulher no adverte para não machucarmos a flor e eu repito isso para minha irmãzinha.
Desço da arvore e vou até a mulher.

Ela é alta, magra, ruiva, com muitas sardas, possui um semblante triste e misterioso. Nos tratamos com muito carinho. Não sei por quanto tempo permaneço lá, mas imagino não ter sifdo pouco. Eu disse ‘preciso ir embora’ e ia me despedir beijando sua boca, como já havia beijado em algum momento anterior, mesmo que não me lembre. Ela não permitiu.
Eu forcei um pouco, ela deixou. Ela estava deitada num sofá azul, dentro da loja ao lado da árvore. Imagino que a loja não tinha teto e o chão era de barro. Só havia paredes em torno da árvore. Nessa hora já havia uma televisão onde minha irmã via TV o que impedia de ver o que acontecia entre mim e a mulher.
Enfiei-me no meio das pernas dela e senti todo o seu corpo tocar o meu. Estávamos vestidos e não fizemos sexo, mas sabia que já havíamos feito e que eu adorava aquela mulher em todas as suas mínimas curvas e imperfeições. Ela não era linda, alguns poderiam até achá-la feia, mas a sua áurea misteriosa e seu semblante triste me diziam muito.
Quando senti seu quadril ela parou, olhou nos meus olhos e disse como se sofresse:
“Você está querendo um filho”.

Acordei com o Gustavo me dizendo que mulher perfeita para ele seria uma mistura de Pamela Anderson com Fergie. Fiquei um pouco envergonhado de falar como era a minha mulher perfeita que acabara de conhecer, mas preferi continuar com aquela imagem por mais alguns segundos na cabeça.

Daí realmente acordei.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Onde os sonhos se tornam realidade

Provenho de uma família de classe média baixa. Cresci num bairro periférico da cidade de São Paulo, a Cohab José Bonifácio, no bairro de Itaquera (também conhecida como Cohab II). Fui o primeiro de uma leva de sete netos do Seu Lourenço e da D. Nira. Nunca tivemos dinheiro de sobra para fazer extravagâncias.
Eu sempre estudei em escolas particulares de bairro, mesmo muitas vezes tento a mensalidade atrasada. Eu fiz inglês, teatro, música – e muitas vezes, os problemas de pagamento continuavam existindo. Aprendi a me tornar uma pessoa múltipla. Aquele orgulho da família, o bom amigo das meninas, o bobo amigo dos meninos e o guri esquecido por mais simpático que fosse.

Era o mais pobre dos amigos ricos e o mais rico dos amigos pobres e acho que isso reflete minha vida até hoje, onde começo a tomar algumas rédeas de algumas situações e tento levar a coisa por um caminho diferente. Muitas vezes me pergunto se é errado que eu seja uma pessoa tão amparada e apoiada pela minha família, por que escuto histórias de amigos e, principalmente, da minha família, onde me contam dos prazeres privados durante a vida para que, hoje, pudéssemos desfrutar de algum conforto.
Fiquei um pouco decepcionado com minha postura consumista ao saber que a minha mãe chorou quando comprou uma bicicleta para o filho do meu padrasto, porque ela sempre quis ter uma. É decepcionante ouvir as histórias sobre como conseguiam conciliar trabalho, estudo e vida privada.

Meus pais compraram seus carros antes do que eu, provavelmente, vou comprar. Compraram suas casas antes do que eu vou comprar. Casaram e tiveram filhos antes do que eu os farei.
E agora eu penso.
Também fiz um cursinho pré-vestibular mais barato, num período que não era o ideal. Consegui passar numa universidade boa, mas num curso com muitas vagas, baixa nota de corte e com uma infra-estrutura prejudicada.

Minha vida parece uma constante tentativa de reparar lacunas, mesmo enquanto eu abro outras. Hoje consigo ter algum conforto devido ao apoio da minha família, mas vivo o conforto que meus pais buscaram para sair do seu estado de calamidade.
Eu pareço ser uma pessoa com metas e objetivos. Esses objetivos são, constantemente, alcançados, mas acho que aprendi (com muito conforto e amparo) a me tornar uma pessoa persistente nos seus objetivos.

Nunca fui para a Disney, por que nunca tive dinheiro para isso. Mas já viajei para Curitiba, Fortaleza, Caldas Novas. Já andei de avião, já fui mais de 200 vezes ao cinema.
Dizem que a Disney é o lugar ‘where dreams come true’, mas meus sonhos se tornam realidade aqui em São Paulo mesmo, com um grupo de teatro que ainda não tem dinheiro, com uma família pobre que é feliz e unida e sendo uma pessoa que acredita ser feliz, e talvez por isso, eu realmente seja.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Rolê de Corno - parte 3

Passamos 5 km.
Passamos 10 km.
Passamos 15 km.

E nada do Tietê chegar.

Quando perguntamos a um guarda, ele nos disse que ainda faltavam duas pontes. Como cada ponte tinha uma distância aproximada de 1 km da outra, sabíamos que estávamos a 2 km do nosso destino.

Naquele momento o nobre “caroneiro” Cícero já estava sendo xingado com todas as possibilidades de palavrões que as mentes sujas mais criativas do mundo são capazes de inventar. Pobre dele que tinha a família mais devassa do mundo, uma mamãezinha que era patrimônio público e sei lá quantos metros de ferros já havíamos desejado enfiar pelo canal de sua próstata.

Meu pé já havia suado, secado o suor e suado novamente. Essa ação já havia se repetido centenas de vezes, o que tornava o ambiente interno de meu tênis uma área com biodiversidade extremamente maior do que a floresta amazônica.
Nossa água estava quente, nossa última marmita estava fermentada e estraga. Nossos pés tinham bolhas e nossas costas sem camisa estavam sofrendo queimaduras de primeiro grau, devido ao sol do meio dia em plena Marginal Tietê.

Faltando apenas alguns metrô para chegar ao terminal, paramos mais uma vez.
Estávamos exaustos. Havíamos saído de Guarulhos lindos, limpos e cheirosos.
E ali estávamos nós. Três garotos infelizes.

Ao tentar procurar palavras para expressar minha raiva eu só pude dizer:
Mas que rolê de corno!

Apesar de tudo, foi divertido! :D
Vamos fazer isso mais vezes, só que com um pouco a mais de programação, ok galera?


Resultado: Mais de 30km. 5 horas.

Rolê de Corno - parte 2

Aos 40 minutos de caminhada estávamos eufóricos. Demos uma parada para ver o sol nascer, mas continuamos nossa jornada. Fizemos cálculos. Estávamos a 6 km/h e deveríamos levar por volta de 5 horas até chegar ao Tietê. Teríamos mais 3 para chegar à Saúde.
Após alguns quilômetros nossa euforia foi sumindo, nosso cansaço foi aparecendo e a idéia de fazer uma caminhada tão longa com calças jeans pareceu um tanto quanto estúpida. Começamos a sentir medo dos enormes caminhões que passavam a poucos centímetros de nossos corpos e observávamos caminhos impossíveis de passar segundos antes de passar por eles.

Após 20km de caminhada, resolvemos dar mais uma parada (já havíamos feito duas). Sentamos em uma pedra por baixo de uma árvore que nos favorecia uma sombra muito tentadora ao observar aquele sol das 10h da manhã. Após descansarmos por alguns segundos, pedimos informação à um singelo “caroneiro” que estava por lá.

Ele dizia se chamar Cícero. Havia acabado de voltar da “gandaia” e andado por volta de 20km em duas horas. Achamos um tanto quanto improvável que aquele gordinho, muito parecido com o Maguila inchado, fizesse em 2 horas o que havíamos feito em quatro. Nos disse que o metrô Penha estava há apenas 2km, enquanto o terminal Tietê encontrava-se há 5km. Confesso que a Penha nos pareceu extremamente tentadora, mas a glória de chegar ao Tietê era maior. Decidimos ir rumo ao Tietê.
Cícero nos perguntou se tínhamos dinheiro. Naquele momento, nossas carinhas se fecharam numa expressão de tristeza e dissemos que não, temendo que ele nos assaltasse. Mas ele abriu a carteira e nos deu R$ 10,00.

Naquele momento, todos ficamos apreensivos. Qualquer um que tentasse ser educado e dizer: “Não! Não precisa”, provavelmente apanharia dos outros dois. Os 5 segundos que ele demorou para pegar o dinheiro foram os mais silenciosos do mundo. Confesso que pensei em dizer que não precisava mas, vai tomar no cú, claro que precisava.
Eu tinha 30 reais. Mas precisava pagar a passagem de volta do Amarante e do Renan, além da nossa comida e minha passagem de metrô, o que seria mais de 25 reais da minha graninha indo embora.

Pegamos o dinheiro, agradecemos. Saímos da gostosa sombrinha e partimos rumo aos 5km que nos separavam do terminal Tietê. Calculamos que demoraria menos de uma hora, então apertamos o passo.

Rolê de Corno - parte 1

Muitas vezes, quando estou bravo por estar em determinado lugar, digo estar dentro de um ‘rolê de corno’. O que é isso?

Rolê de corno seria - nada mais - do que uma situação constrangedora, ruim e que poderia ter sido evitada com um pouco de cautela, conversa e compreensão.

Todas as vezes em que empreguei tal termo, não havia pensado no enorme preconceito que tal expressão carregava entranhada em cada uma de suas sílabas. Seria uma expressão equivalente a: “Rolê de papagaio” ou “Rolê de português”. Esses rolês de personagens de piadas ruins são tão ruins quanto as piadas desses personagens.
Jurei para minha pessoa que não voltaria a usar determinada expressão.

MAS

Acontece que – por motivos que prefiro não revelar, para não alongar a história – fui para Guarulhos numa noite de domingo. Chegando lá por volta das 2 horas da manhã, fomos à casa da tia de uma amiga nossa aonde jogamos truco, dominó e assistimos o desfile das escolas de samba do Rio. Eu, como todo bom trabalhador, estava muito cansado. Ficava pedindo a todo momento para irmos embora, mas o meu maléfico primo queria continuar lá para resolver pendências que sempre ficam pendentes. Em determinado momento, um café apareceu à mesa, e como todo bom paulistano eu adoro café. Tomei por volta de 1 litro, o que foi capaz de me deixar acordado e pronto para “bagunçar”. Ficamos lá até, por volta, das 5h da manhã.

Ao expressar minha singela vontade de bagunçar (que estava sendo relacionada ao fato de estar entorpecido pelo efeito daquele ópio cafeinado), meu primo sugeriu que fôssemos para o encontro com nosso grupo de teatro a pé. Nosso amigo Amarante topou na hora (mesmo sem saber do que se tratava) e eu, na brincadeira, disse que sim também.

Lá fomos nós passar nas casas para colocarmos roupas confortáveis, fazermos marmitas, enchermos garrafas d’água e etc. Partimos às 6h da manhã, sem dormir.
Colocamos o pé na Rodovia Presidente Dutra e partimos em direção à estação Saúde do metrô de São Paulo.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Sábias Palavras

Esse é um texto que encontrei num perfil de orkut, mas que originalmente saiu de um fake de uma comunidade da USP.


"Se a mulher é mto gata vc tem que ter style e ser autêntico. Leve ela no Bob´s ou habib´s, ou ainda numa pizzaria com karaoquê e peça um drink nervoso, estilo rabo de galo e porção de tremoço. A semana toda ela ja fica na frescura do trabalho e ela ja cansou da rotina restaurantes caros e vinho do bom. A pegada é adrenalina, uma boa dica é o eucaliptos em Interlagos, a mulherada vai se amarrar.

Mulher gosta de emoção. Vc pega uma cocotinha cheia da grana, fez USP e pá , viajou pra fora do país vááá´rias vezes e tal e vc nao vai conseguir impressioná-la com esse seu xavequinho de "pega gordinha em quermesse", dizendo que vc fala inglês e conhece os EUA...Mete logo é ela numa kombosa e desce a serra rumo a Praia Grande! 2 sacos de pão francês, macarrão e linguiça!! Ela vai adorar, mulheres gostam de adrenalina. Convide uns 2 ou 3 amigos do dialeto "na onde" e MUDO MEU NOME SE ELA NAO SE APAIXONAR!"

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O sono


O sono sempre aparece quando estou acordado. Acho que ele me persegue.
Eu estava pulando tanto agora pouco!

Que esquisito.
Que soninho totoso...

Contos macabros com suor de coletivo

Conto 1


Era quase rota tracejada. Ele dirigia o ônibus e precisava mirar os pneus na cabeça do homem que fica parado na guia. O suspiro antes da queda antecedia uma aceleração do motor.

O ruim do cálculo é o erro. O ruim de atropelar é a sobrevivência.

Ele não poderia pegar um rifle de longo alcance para subir num prédio e fazer a sua justiça, pois usava óculos. Então escolheu uma poltrona colorida de um ônibus qualquer, e passou a estourar cabeças com a sua direita dianteira.

O ruim do cálculo é o erro. O ruim de atropelar é a sobrevivência.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

O primeiro da família

Entrei numa universidade pública. Sou o primeiro da família numa universidade pública.

Dia 3 fevereiro olhei meu nome na lista dos aprovados e não consegui acreditar. Moro numa casa em Taboão da Serra, numa rua sem saída, sem amigos por perto e com uma família viajando para Camboriú. Eu não tinha para quem gritar.
Peguei o telefone e disparei diversos números. Entre lágrimas, risadas e silêncios constrangedores, fui tomando noção de que agora eu era um estudante universitário. Ainda não matriculado, mas que meu nome estava lá, estava!

O telefone daqui de casa não parava de tocar, o que atrapalhava meu trabalho de conferir se não havia algum outro ‘Bruno Lourenço dos Santos’ que também houvesse prestado Letras. Não. Aquele nome era meu mesmo.
Sem vaselina. Sem parabéns. Sem perguntarem se eu realmente queria ler meu nome ali e não ler o dos meus amigos.
Simplesmente estava lá.


Ano passado eu prestei Fuvest também. Mesmo curso. Mesmas opções.
Todos diziam que eu iria passar e eu estava muito mais confiante do que esse ano. Não ver o nome na lista dos aprovados traz uma sensação de derrota. De vontade de deixar tudo de lado. Arranjar um emprego de telemarketing e não fazer disso o seu projeto de vida.

Não pensei que eu fosse passar. Ainda mais na primeira chamada.
Tenho amigos e amigas que estudaram mais do que eu nesse ano. Fizeram cursinhos mais renomados, estudaram durante o ano todo. Eu realmente gostaria de ter lido o nome deles na primeira chamada, para diminuir a surpresa e descrença ao ler o meu. Mas é isso. Espero que minha galera não desista. Eu passei de segunda, mas passei.

Eu só gostaria que o povo da segunda chamada fosse meu bixo. To com medo de ser zuado. HAHA

Como disse o professor de geografia do Cursinho da Poli (Xandão): “Universidade pública é igual sexo. Não adianta a posição, o que importa é entrar”.