terça-feira, 20 de outubro de 2009

O meu portão torto...

É um lugar um pouco diferente do que todos estão acostumados a ir.
Um lugar simples, que traz tantas memórias que seria difícil de tentar resumir na mais humana das obras de arte. Eu tenho a impressão de que por mais bela que fosse, ela não seria capaz de transformar em sensações e memórias todas as memórias e sensações que aquele lugar já viveu.

E as que eu vivi ali, são tão infimas perante tudo aquilo que já aconteceu, que quando penso nisso, só tenho medo da vida desse local.
Esse local vive, sim.

Era uma casa só de madeira. Com as paredes descascadas por uma tinta antiga, que já estava lá há décadas. E não era bonita, era de uma ai Noelsensibilidade imponente de amor e decadente de estrutura.
E foi ali que eu cresci. Se não foi em tempo, foi em sonho.
Cresci e fui vendo a casa evoluir. Ganhando tijolos, canos, cores...
Foi ali que eu cultivei os meus sonhos, por que eu ia colhe-los todo final de ano quando eu entrasse pela porta da frente e dizer: "Bença, vó!"

Tenho tanta saudade desse lugar, que não caibo em mim de tristeza e excitação. Tenho pena de não ter batalhado para estar lá mais vezes enquanto o sonho era uma brincadeira de criança e não uma fuga do mundo adulto.

Faz tempo que ali não vou para dar boa noite ao meu sagrado. Um sagrado que profanei, e que me castigo por isso. O portão que me viu desesperado dentro de um carro numa madrugada . O portão que viu chegar chorando após apanhar de meninas. O portão que me viu sorrindo ao chegar com os bolsos repletos de balas que foram jogadas na rua por algum caminhão com um homem vestido de Pap...

Esse lugar ainda vive no meu sorriso de criança. E quero que continue vivendo em mim e nas crianças que moram (e morarão) em mim e comigo.

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