segunda-feira, 13 de julho de 2009

Novos desejos de realidade

Para Hanschen e Ernest

Você não pode fugir quando tem um filho. Meu sonho é ter um filho, mas eu ainda quero fugir. Os homens vivem essa constante provação. Os homens, quando ainda vivem uma espécia de ‘poesia primitiva’, se vêem necessitados da necessidade de ser pai. De deixar de fugir, e colocar um freio. E eu preciso colocar um freio, por que essa necessidade é primitiva. Sabe por que? Por que senão eu morro.

A sensação de viver a poesia, então, se esvai. Por que é decidida a sensação de lembrar-se dela.

Foi bom.

Fica!

Você esqueceu suas meias nos meus sapatos.

O movimento da vida já é frenético demais, e eu não tenho o direito de tentar continuar a bagunça-lo. Hoje eu não te amo mais. Por culpa sua, por culpa minha e por que todos os outros me fizeram te odiar. Eu concordei, você não disse nada, mas pareceu concordar também. O banho de mangueira ficou pra outro dia. Assim como nosso sorvete de morango, assim como nosso casamento no mesmo dia ou como nosso “roubo perfeito” em um banco qualquer. A todo tempo nós procuramos inventar nossa roda, descobrir nosso fogo, achar uma nova América, para daqui 200 anos um rosto conhecido ser estudado num livro de história.

(Esta parte eu pensei em cortar) Por mais que eu feche minha mala, eu sempre a abrirei novamente, num lugar novo. Para ali recomeçar e torcer para ali me eternizar.

É como a sensação de tosse presa. A sensação de espirro quando foge. O movimento primitivista propõe isso. Arrumar a bagunça, transformar amores em fotografias, retirar as tensões do corpo, cheirar alecrim... E, infelizmente, saber que algo se perdeu e vai ficar na lembrança.

E a lembrança, talvez, por sorte, fará com que vivamos algo novo, e tão puro como a lembrança. E como que por desafio, o tempo todo nós nos propomos a suscitar felicidades, para que possamos reviver no presente as lembranças, que no futuro, serão novos desejos de realidade.

Bruno Lourenço

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