quarta-feira, 3 de junho de 2009

A mulher que chora baixinho

Uma mulher.
Sem informações, adornos, respostas... É só uma mulher que chora e segura um guarda-chuva. Segura uma sacola branca e uma bolsa marrom. Com a mão direita segura o papel higiênico que assoa o nariz, com a esquerda segura o guarda-chuva.
Ela chora baixinho, escondendo de mim - e de si mesma - aquela agonia. Escondendo daqueles estranhos, que ela também o é. Sendo reprimida, se reprimindo... E ao mesmo tempo se desafiando, sendo corajosa de se mostrar da única forma que sabe.
Chorando baixinho.
E em movimentos delicados, ela empurra seus soluços. E como que numa valsa triste - misturado com samba descompasado - os papéis higiênicos, que estão no seu colo, se espalham pelo chão no ritmar daquele corpo triste.

Daqui de longe ela parece num altar de papel.
Uma luz amarela recorta-lhe o corpo e ela própria virou...
Um desenho.
Uma pintura de museu.
Uma música do Zeca Baleiro.
Um garrancho escrito no ônibus.
Um post de blog.

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