sábado, 27 de junho de 2009

Músicas...

( D A G )

Amor com gosto de terra desfaz a desgraça tão graça de (Dor) me esconde na serra. Desfaz a matéria tão cheia de (Amor) não sei se estou certa. Desfaz a certeza tão cheia de (Dor) me encontra na esquina, que lá a chacina morreu por (Amor) cruzamos os versos, trocamos poemas, morremos de (Amor)

domingo, 21 de junho de 2009

O seu nome era Lucas...

Quando Lucas acordou, ele viu poucas coisas ao seu redor. Uma bolsa colorida, um radio antigo da irmã mais velha, um óculos quebrado e um pouco de gordura que sobrava da calça. Era um menino que corria muito, empinava pipa, jogava bolinha de gude e comia mais do que qualquer outro menino da sua idade. Todo mundo chamava ele de ‘filho do Faustão’.

A primeira imagem que eu tenho do Lucas, foi no meu primeiro dia de aula do prézinho. Eu havia chegado naquela escola nova em abril, mesmo as aulas tendo começado em fevereiro. Olhei aquela porta enorme que continha a difícil palavra escrita a dezenas de metros de altura da minha cabeça. Minha leitura, já muito bem treinada, conseguiu identificar aquela palavra complexa e que, por conta da altura, precisei ler dando uns passos para trás: PRÉ.

Lembrei de toda a minha vida.

Aquele dia que apanhei no meio da feira, aquela mordida no braço por que não quis sair do balanço, a “Xaranguinha”...

Pensei em como eu já estava grande. Entrei na sala e vi aquela mulher escondida atrás de uma enorme e linda barriga de grávida, que não notei a principio por causa da timidez. Mal sabia eu que anos mais tarde aquela “Tia Jane” seria minha madrinha de formatura.

A Tia Jane me apresentou para a classe.

Não tinham carteiras na sala do pré. Isso só a partir da primeira série. Nós sentávamos em mesas circulares. Cada mesa tinha uns 4 alunos. Eu sentei numa mesa do fundo, sozinho. A mesa tinha um furinho na madeira. Um furinho muito simpático. E foi ele a minha primeira amizade naquela sala do Pré.

Alguém olhava pra mim. Um gordinho de aparência simpática. Ele fez sinal para eu me aproximar e se apresentou com o nome de Lucas. Me apresentou a Taís, a Joyce e Juliana. Dois nomes tão diferentes, mas por conta dessa amizade, feita em mesa redonda, começaram a parecer um nome só. E desde então, o mundo todo começou a confundir Lucas com Bruno.

A Juliana foi a primeira menina que eu gostei, mas ela saiu da escola no final do ano.

A Joyce era a melhor amiga dela, e foi a segunda menina que gostei. E gostei bem da Joyce. Até a 7ª série, provavelmente.

Mas voltemos a falar do Lucas... O Lucas sempre foi amigo de escola. A gente tinha pouco contato fora. Eu ia na casa dele, ele ia na minha. Mas não muito, só de vez em quando. O Lucas adorava robôs, mas tinha medo que eles atacassem ele durante a noite, e o sonho dele era estudar mecatrônica. Na época que o meu sonho era estudar direito.

O Bruno, digo... o Lucas nunca foi bom com os livros. Na verdade, quando eu comecei com esse mal hábito, ele não me seguiu. Preferiu continuar jogando bola, bolinha de gude e empinando pipa. E mão dele era cheia de cortes, calos.

Foi ele quem me ensinou a fazer um carrinho de rolimã.

Quem me fez empinar minha primeira pipa.

O primeiro menino que me bateu pra eu chorar e em quem eu bati pra ele chorar.

Acho que algumas vezes, ele deixava eu bater nele. Eu era muito mais fraco, mas ele gostava muito de mim. E eu muito dele.

Eu ensinei ele a jogar xadrez. Ensinei ele jogar, até não precisar deixar ele ganhar. Até ele ficar tão bom que nossos jogos duravam horas, geravam brigas e nós dois fomos instrutores de xadrez da escola.

A familia dele me chamava de “filho preto”. Eu sempre estava lá. O Lucas não ia tanto lá em casa. Lá era menos bonito que a casa dele, e poucas vezes minha familia estava lá. Uma vez eu inventei uma conjuntivite pra faltar no ensaio, só pra ficar na casa dele, conversando.

Nunca achei ele bonito, mas a amizade era bonita por si só.

Na infância ele andava todo sujo, com a camisa suada, a calça rasgada, rolava no chão e esfregava o pinto nos outros gritando “COMIDINHA!”, e eu ia no embalo.

Bruno... Quer dizer... Lucas (sempre confundo) muito obrigado pela amizade pura que você me deu.

Obrigado pelo Costelinha, pelo Paquito, pelo Bob e pelo Bruce.

Obrigado pela sua família que sempre me acolheu.

Pelas dancinhas na webcam e vídeos dublados.

Os papéis higiênicos molhados grudados no teto e aquela bomba na secretaria da escola.

Obrigado pela indicação dos sites pornôs e por aquele grupinho de punheta que eu, você, o Ricardo e o Leandro fazíamos no fundo da sala.

E obrigado por passar cola nas provas que eu não sabia.

E que ela siga. A sua vida. Espero te reencontrar, para que eu possa ser seu padrinho de casamento e você o meu. Como o prometido.

Que você batize meus filhos, eu batize os seus.

E nosso pacto de irmão de sangue, feito após nós dois termos cortado o dedo ao mesmo tempo, continue prevalecendo.

Hoje, nós não estamos mais juntos nas fotos, mas saiba que eu sinto a sua falta meu grande amigo.

Meu primeiro amigo.


quinta-feira, 11 de junho de 2009

Conversa minha comigo...

1: Onde você ta?

2: To sentado. Na porta de uma igreja.

1: Fazendo o que?

2: Sei lá... Pensando. Vendo.


(Silêncio)


1: E vê algo interessante?

2: To vendo pessoas. Semáforos. Cores... Um carro de polícia passou na minha frente e os policiais nem me viram.

1: Não ficou com medo?

2: Não. Senti vontade de fazer xixi na porta da igreja.

1: Pra quê?

2: Sei lá... Pra ter alguém pra conversar.

1: Pra conversar com Deus?

2: Não. Com os policiais.


(Silêncio)


1: Você está conversando comigo.

2: E você não está aqui.


(Silêncio)


1: Quer que eu vá até aí?

2: Não. Já vou sair. Só vim aqui pra pensar.

1: E daí você vai pra onde?

2: Tem uma placa indicando o caminho...

1: De transito?

2: Da igreja.

1: Deu pra falar com Deus, é?

2: As vezes eu tento.

1: E o que acontece?

2: Bato com a cara na porta.


(Silêncio)


1: Me diz onde você tá. O que você vê daí?

2: Três homens vermelhos. Um sol verde. Uma constelação ao meu lado. Tem um Cometa passando. Uma cegonha também.

1: Você ta bem?

2: To na frente de Deus. Isso é bom?

1: Isso é uma tentativa de ser poético.

2: Isso é bom?

1: É uma tentativa...

2: To com frio. To com muito frio na mão e nos pés.

1: Pede pra entrar. Geralmente os padres abrigam quem tem frio.

2: To com vergonha. É madrugada de feriado. Deus também descansa.


(Silêncio)


1: (Rindo) É feriado de quê?

2: (Rindo) Não sei... Saí da escola faz pouco tempo, mas não lembro. To vendo um homem encapuzado.

1: Ladrão?

2: Não. Parece que ta perdido. Ta numa capa de chuva.

1: Ta chovendo aí?

2: Choveu agora pouco.

1: E o homem? Já foi?

2: Ta vindo.

1: Vai embora.

2: Não dá mais tempo. (Para o homem.) Oi. Não tenho. Boa noite.

1: Cigarro?

2: Não. Horas. (Sorriso) To na frente da igreja, lembra?

1: É bonita essa igreja? (Sonhando)

2: É, mas todo mundo esqueceu dela. Achei por acaso... Querendo um lugar pra sentar.

1: Banco?

2: Não. Qualquer lugar seco.

1: Não tem ninguém te esperando?

2: Tem. To preocupado.

1: Vai pra lá!

2: Preciso terminar uma coisa...

1: To te atrapalhando?

2: É que eu não sou muito bom em ser direto.

1: As vezes é ruim ser direto

2: E nessas eu deixo as pessoas esperando.

1: Entra! Ou vai embora!

2: Não posso só ficar?

1: E deixar os dois lados esperando?

2: E a minha espera?

1: Você faz esperar.

2: Eu também quero esperar. Quero me esperar. Mas parece que eu não chego nunca.

1: E é bom?

2: To com um pouco de medo, mas nada de mais. Coisa normal. De me assaltarem. De não me esperarem, sabe? Tem uns rostos estranhos me olhando aqui

1: Sai logo!

2: Mas eu não quero. To curioso. Preciso terminar.

1: E falta o quê?

2: Falar sobre amor.


(Silêncio)


1: É difícil...

2: Então eu espero mais um pouco...


(Silêncio eterno)

Algo para.

Quatro faróis vermelhos. É tudo que vejo daqui.

Ouço o barulho dos carros, sinto a umidade nos meus pés por conta de uma chuva que tomei a horas atrás e sinto a fermentação do álcool borbulhando em minha barriga.

Me disperso nessa falta de foco que gera meu caos e pede minha mutação. Minha evolução.

É hora de cortar o cabelo.

É hora de crescer.

Um dos sinais ficou verde. É o sinal de pedestre. Sinal de que é hora de prosseguir, mas a pé. Ainda não posso dirigir. A vontade que eu mais sinto é de sentar e ficar parado eternamente, passando pelos múltiplos locais do universo que são inventados a cada instante.

Mas só conheço aquilo que acaba.

Então minha eternidade também acaba. Então não posso passar a eternidade sentado.

Dois sinais verdes. O de pedestre avermelhou. O que significa? Talvez refletir. Talvez parar e assumir minhas realidades. Eu não olho para frente e vejo as cores dos sinais escolhendo por mim. Mas sempre escolhendo um “Pare!” ou um “Prossiga!”, mas nunca um “Cuidado!”.

Sinto falta de um pouco de amarelo na minha vida. Puxar um fio, ligar uma luz e ver que a cor mudou. Que posso ser todo verde quando eu quiser. Sinto a vontade do perigo com um pouco de cuidado.

Eu só queria ficar verde e abraçado num vermelho com amarelo.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Minha barba já existe. Mas é rala...

Que vontade de crescer logo. De deixar a infância, com suas passagens, ritos e descobertas, na minha caixinha sagrada e começar a experimentar a sensação de ser um homem.
Meu tórax alarga, minha voz muda, meus pêlos nascem, meu corpo expande, meu sexo acorda. E eu vivencio essa mutação comendo amendoins cobertos de chocolate.
Minha mente insiste em querer acompanhar a evolução do meu corpo. Ela parece acreditar ser esse o momento de crescer, de se expandir, de inchar. Assim como meu tórax, meus pelos, meu sexo...
Foi tudo rodeado de poesia. É tudo rodeado de poesia.
Mas eu ainda temo esse punk-rock-psicodélico-tropical. E sei que temo por que ele é necessário. Mas eu não aprendi a conviver nessa realidade. Pois ainda parece uma ópera-dark. Um maxixe-pós-gótico. Minha vontade de crescer é de crescer dentro de mim e continuar com os mesmos sonhos, mas dessa vez, sabendo que eles não são palpáveis... como meus amendoins.
E eu busco a necessidade de encontrar a resposta do meu corpo para o meu tempo.
Nada encaixa no meu corpo.
Nada eu deixo encaixar.
Nada se faz encaixar.

Mas eu sobrevivo à inconstância dos amores...

domingo, 7 de junho de 2009

Estou gripado

Não é de hoje que venho fungando muito.
Há mais de um ano que eu tenho a impressão de que estou sempre doente.
Quando percebo não espirrar, eu corro para tomar gelado e pegar um ventinho.
Virei amigo do papel higiênico.
Saúde é para os fracos.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

"Presente de aniversário para a Jú" ou "Peter e Wendy"

( C G/B Am F G C)

É de se esperar que o meu coração fale "Toma!"
Quando pensa que o bater do seu se perdeu
Então ele me joga numa tristeza tão longa
Tão longa que eu penso que o tempo todo se perdeu

Então é aí que você aparece feliz
Me louva, me xinga, me acode, aperta meu nariz

Me faz acreditar em fadas
Outro dia me ensina a voar
Me faz voltar a viver quando não sei respirar

Descalço, na rua, compro um picolé pra você
E quando consigo, aproveito e compro o meu
Eu só fico triste quando te espero na porta
E vejo que você ainda não apareceu

Então é aí que você aparece feliz
Me louva, me xinga, me acode, aperta meu nariz

Correndo num gueto, favela
Comendo coxinha num bar
A gente encontra vida em qualquer lugar

Então é aí que você aparece feliz
Me louva, me xinga, me acode, aperta meu nariz

Me mostra as mais belas cores
Me leva para o seu jardim
Desejo em você tudo aquilo que não vejo em mim.

Escrito em 10 de janeiro de 2009 - Presente de aniversário para Juliana Hashimoto.
Uma grande amiga.

A mulher que chora baixinho

Uma mulher.
Sem informações, adornos, respostas... É só uma mulher que chora e segura um guarda-chuva. Segura uma sacola branca e uma bolsa marrom. Com a mão direita segura o papel higiênico que assoa o nariz, com a esquerda segura o guarda-chuva.
Ela chora baixinho, escondendo de mim - e de si mesma - aquela agonia. Escondendo daqueles estranhos, que ela também o é. Sendo reprimida, se reprimindo... E ao mesmo tempo se desafiando, sendo corajosa de se mostrar da única forma que sabe.
Chorando baixinho.
E em movimentos delicados, ela empurra seus soluços. E como que numa valsa triste - misturado com samba descompasado - os papéis higiênicos, que estão no seu colo, se espalham pelo chão no ritmar daquele corpo triste.

Daqui de longe ela parece num altar de papel.
Uma luz amarela recorta-lhe o corpo e ela própria virou...
Um desenho.
Uma pintura de museu.
Uma música do Zeca Baleiro.
Um garrancho escrito no ônibus.
Um post de blog.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Algo sobre o caos

Escrevi esse texto há alguns meses atrás. Me sentia confuso e atropelado de informações.
Ainda sinto um resquício disso, mas menos obrigado. Parece até um pouco de abandono.
Modifiquei algumas coisas, mas ele é o mesmo no geral.
Coloco-o aqui, pois o acho importante (apesar de mal escrito).
-
Algo sobre o caos

O adolescente contemporâneo?
Hoje eu tenho 17 anos.
Fico confuso na minha falta de organização.
Os caminhões passam por mim fazendo barulho...
Lembra disso? É Refugo.
Quando eu corria, eu era criança.
Hoje eu, tão novo, estou sempre atrasado.

"Fica mais um pouco! Dá um beijo"
"Desculpa, não posso!"

Todos os dias, eu vejo pessoas que o tempo todo são rotuladas como fúteis, como bobas, como pessoas sem cultura. Então eu, na minha falta de maturidade, tento fazer o contrário. Tento ser diferente delas. Usar roupas diferentes, falar diferente. E quando eu vejo, ó: Já dei a volta.
Fiquei bobo também.

E bobo por quê?
"Novela, Mallu Magalhães, Rua Augusta, Nação Tantan, Baile Funk..."
Quando eu falo por mim, eu falo por nós.
Sobre a bobeira... É uma bobeira coletiva.

Fico confuso na minha falta de organização.
Só dedos que digitam algo que não só uma cabeça pensa.
E que pena que não é só uma cabeça.
Se fosse só uma, eu seria louco, neutóritco...
Somos alguns tantos, que somos bobões.
(Ih, começou!)

É tanta coisa. É tanta coisa que eu me sinto atropelado de informações. Eu não sei quando eu tenho uma personalidade e não sei quando fui moldado. E esse meu medo, essa minha neura só me faz ter certeza da alienação.
Alienação?
Da onde isso?
Para se chegar no senso comum, não precisa de um senso crítico?
(Acho que não, né?)

São tanto filósofos...
Tantos livros e tanta vontade de saber que as vezes eu me esqueço que o saber vem...
Vem com o tempo.
Vem com a vida.
Com a falta de tempo.
Ou a falta de vida.
Mas vem... Mesmo quando não vem.
Só vem...

Hoje eu sei (ou penso que sei) que posso me perder na minha falta de opinião.
Talvez isso já seja um resquício de que ela não existe... A minha falta de opinião.
É que eu tenho um medo de ficar bobo...
(Ih! Dei a volta de novo!)

E eu fico muito confuso na minha falta de organização.

Postado originalmente em:
hhtp://torneado.blogspot.com, em 16 de Setembro de 2008 - terça feira

Sobre a inconstância dos amores

O ônibus vai passando pela avenida e eu vou dando 'Adeus' ao carnaval que passou.Anjos e Diabos se encontram, se colocam duelando em diferentes pratos de uma mesma balança.

Um ano não é feito de carnavais.

É feito de feriados para a devoção religiosa, de 'dias do carteiros', de "Aulas normais na segunda-feira".Criamos sonhos e ilusões durante 361 dias. Nossos sonhos viram metas, e nossas metas viram sucesso. Ou pior, viram utopia.
Mas nesses 4 dias que sobram tudo se converte. Não em menos pureza, mas é como se uma fadinha malvada viesse, é como se o Puck chegasse e fizesse 'plim', tudo que é cabeça vira corpo, e tudo que é corpo vira cabeça.
Daí os amores somem, se transformam, se renovam. Viram outros, deixam de existir... mas fica tudo lá em casa.
"Não tem problema por que essa marchinha já canta tudo que eu quero dizer."
"Não tem problema por que o maracatu grita o tambor do meu coração."
Então, quando tudo parece ser o mais tranquilo caos, minha cabeça quer voltar pro meu corpo e meu corpo pra minha cabeça. Desejos pra um lado, de um lado pra outro. Mas aquele pózinho da fadinha malvada não deixa. Agora minha cabeça é corpo e meu corpo é cabeça. Eu sou o dobro de mim e muito mais eu.
Perco todos os amores. E eles viram pó na quarta-feira de cinzas.
Mas com a chuva, que sempre acompanha o fim das festas, a cinza vira terra, a terra vira barro, o barro vira argila e a argila vira pote, vira jarro... Vira amor.
E eu sobrevivo à inconstância dos amores.

(25 de fevereiro - Quarta-feira de cinzas - 2009)

Postado originalmente em: http://torneado.blogspot.com/

02 de Janeiro - madrugada

Música pra Bruna
(D - D7 - G - G7M - C - F - G)

Pois todo o sabor que senti de você
Me leva a pedir
Me leva a sofrer
E tudo que quero é um gole de um sorriso teu

Já que tua graça ofusca meu sonho
Me faz mais mortal
Me faz mais tristonho
Queria poder perder o meu corpo no teu

Porém se quiseres um amor de infância
Rouba mexerica
Ter uma criança
Viver a mais bela história que se conheceu

Pode ser que dure menos que um carinho
Ou podem vir contas,
Cobranças, netinhos
Mas hoje vislumbro teu nome espelhado no meu

Eu quero dizer (Ok, vou me expor)
Que quero viver
Sua história de amor
Mas nesse momento, isso você já percebeu

Mas como não posso beber sua risada
Se já me esqueceu
Se não existe mais nada
Então esse acorde vai com um suspiro de 'adeus'

Um dia eu amei

Um dia eu amei.
Houve um dia, há muito tempo atrás, que eu amei. Amei, mas não sabia que era amor. Fui amando, amando... E quando eu vi, já amava. Chorava de desespero ao viver, com tamanha “maturidade”, um namoro de criança. Um namoro de poucos beijos, nenhuma sacanagem e, talvez, muito amor.
Mas, antes de descobrir-se amor, ele acabou. Acabou quando ainda parecia brincadeira.
E a vida seguiu-se guiando os dois a procurarem seus novos amores de infância.
Ele cresceu. Tenta encontrar nos sonhos a busca de sua felicidade. Não sabe se é feliz. Mas acredita que é, pois tenta ser. Projeta seus sonhos em pessoas, em papéis... Suas projeções não acontecerão como ele imagina, mas nem por isso serão ruins.
Mesmo assim, ele ainda chora.
Chora, pois não pode desenhar o seu destino, pois o seu destino cruza o destino alheio. E o alheio não lhe pertence.
Ele sonha com um reencontro numa padaria quente, numa manhã fria, num olhar nostálgico. Num toque triste. Que vira feliz. E se transforma em: “Oi! Quanto tempo!”
Ele ainda sonha com um encontro de amor infantil, por que é nesse que ele acredita.

Ela sonha, mas sonha através dos sonhos dele, por que só assim que ela existe pra ele. Nos sonhos.
Na vida ela se transforma. Perde a doçura.
Esquece a infância.